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22 de agosto de 2018

Transformação Digital no Setor de Moda

As tecnologias digitais estão transformando nossas experiências cotidianas, pessoais e profissionais. Independente de escala, o empreendedor do século XXI convive com aceleradas transformações, e com um ambiente competitivo que extrapola seu território/região.

Transformação Digital no Setor de Moda

Proliferam tecnologias visando dinamizar o varejo de moda por meio de:

(a) pesquisas de insights mais assertivas, identificando com mais precisão as necessidades e as preferências dos consumidores (campanhas publicitárias e estratégias comerciais segmentadas);

(b) maior velocidade e flexibilidade na cadeia produtiva reduzindo o tempo entre a fábrica e a “prateleira”;

(c) novos modelos de negócio.

Independente de escala, o empreendedor do século XXI convive com aceleradas transformações, e com um ambiente competitivo que extrapola seu território/região.

As plataformas digitais atraem a atenção do consumidor e atualmente são o primeiro ponto de busca por produtos

As plataformas digitais atraem a atenção do consumidor e atualmente são o primeiro ponto de busca por produtos; vale observar que o site da marca representa apenas 1% desse movimento (55% procuram na Amazon, 28% no Google, 16% em varejistas outros). O varejo on-line significa facilidade e rapidez, em geral com menor custo.

Emergem ecossistemas de empreendedorismo em várias regiões do país, parte vinculados ao Sistema Sebrae.

Startups propõem soluções inovadoras tais como aplicativos com pesquisa visual, que através da análise de parâmetros como forma, tamanho e cor, localiza produtos específicos notificando o interessado sobre os locais de compra. Na produção, existem tecnologias que personalizam o produto via ”scanners corporais”, engajando o consumidor e aumentando a taxa de conversão.

Transformação digital no setor de moda

O setor tem se beneficiado da Realidade Aumentada (RA) e da Realidade Virtual (RV) na criação de experiências imersivas, propiciando aos consumidores “vestir" as roupas e acessórios.

A Amazon lançou nos EUA o Echo Look, conectado ao assistente pessoal Alexa. Trata-se de um “personal stylist” digital: uma câmara que tira fotos ou grava vídeos registrando seus “looks”, que podem ser compartilhados nas redes sociais ou receber avaliações com a opção Style Check. Com base em fotos e tendências da moda, o aplicativo recomenda qual a opção que melhor combina com você e até propõe novos estilos. A facilidade do dispositivo e o preço (199 dólares) faculta aos empresários de pequenos negócios adotarem como instrumento de marketing e de comunicação.

Pelo lado do consumidor, o Echo Look é um consultor de moda exclusivo; pelo lado dos varejistas, é uma fonte de acesso às preferências dos consumidores segmentada por dados demográficos.

O aplicativo tem o potencial de impactar a “cadeia econômica” de estilo formada por influenciadores, blogueiras de moda, semanas de moda, revistas especializadas, consultores de estilo, dentre outros.

As tecnologias de Inteligência Artificial acessam, processam e analisam volumes astronômicos de dados, seguida de recomendações personalizadas (semelhante aos resultados personalizados das buscas no Google, ou as recomendações de filmes e música do Netflix e Spotify). A tendência é o aplicativo recomendar um estilo e vender os produtos disponibilizados na Amazon, não por coincidência a criadora do Echo Look, o que pode ser vantajoso para o pequeno empreendedor de moda.

O Sebrae Paraná promoveu no final de julho seu segundo evento sobre Inteligência Artificial, com a participação de várias startups locais, dentre elas a Certus Software, com soluções para micro e pequenas empresas facilitando a tomada de decisões:

  • Certus One: auxilia na emissão de Notas Fiscais Eletrônicas;

  • Certas Two: auxilia na gestão (controle financeiro, fluxo de caixa, demonstrativos de resultados, e um módulo comercial);

  • Certus Three: com controles mais sofisticados.

A ideia aqui é apenas pontuar que existem especialistas aptos a atender o segmento de micro empresa.

Outra startup presente foi o desenvolvedor do aplicativo DOD, com foco nos pontos de venda: mensura em tempo real o atendimento ao cliente e vendas de uma loja física, identificando gênero, idade e reação facial do consumidor com o produto e com o atendimento.

Por meio de um contrato mensal (150 reais), o sistema registra a movimentação no interior da loja gerando conhecimento inteligente (para qual produto o consumidor olhou, qual produto pegou e não levou, reações na interação com o vendedor).

As grandes empresas estão se movimentando

Pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que 7 em cada 10 já utilizam tecnologias digitais, 73% se encontram na denominada Indústria 4.0, ainda que em estágio inicial (em 2016, eram 63%).

As empresas de pequeno porte precisam estar atentas a esses processos, adaptando suas atividades e adotando as novas tecnologias. As gigantes de tecnologia têm ofertas para os pequenos negócios, e os conectores fazem a ponte (além das já mencionadas startups).

A Amazon, por exemplo, tem uma unidade de negócio chamada AWS, fornecedora de plataformas de computação em nuvem sob demanda para pessoa física, empresas e governos com base em assinatura, responsável por mais de 50% do lucro da varejista. As APIs (Interface de Programação de Aplicações, em inglês Application Programming Interface), democratizam o uso das tecnologias.

Fontes:

Os Quatro: Apple, Amazon, Facebook e Google, o segredo dos gigantes da tecnologia - Scott Galloway, editora hsm: 2017

CNI - Sondagem Especial 66 - Indústria 4.0 (2016)

Sobre a autora do artigo - Dora Kaufman

Doutora pela USP, pós-Doutora na COPPE/UFRJ, pós-doutoranda pelo TIDD PUC/SP, Coautora do livro “Empresas e Consumidores em Rede: um estudo das práticas colaborativas no Brasil” (2013) e autora do livro “O Despertar de Gulliver: os desafios das empresas nas redes digitais” (2017). Consultora do Sebrae/RJ.

Fonte:
Dora Kaufman
Autor:
Dora Kaufman
Publicado em:
10 de agosto de 2018

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