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26 de novembro de 2021

Startup Raízs se destaca com cestas de orgânicos por assinatura

Pouco tempo após o lançamento dessa opção, as assinaturas já representam 50% dos pedidos da empresa que conecta pequenos produtores ao consumidor final

Produtos Orgânicos

O mercado de produtos orgânicos tem registrado um aumento considerável nos últimos anos.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos cresceu quase 10% entre 2020 e 2021 e o Sebrae estima que o crescimento médio desse mercado, em 2021, dever ficar entre 20% e 30%.

Isso é motivo de comemoração para a Raízs, foodtech que conecta pequenos produtores de orgânicos com consumidores das cidades e já funciona desde 2014.

Segundo a empresa, a alta se dá porque os consumidores estão se alimentando mais em casa e seguem preocupados com a procedência dos alimentos e também com a saúde e prevenção de doenças, dando aos alimentos sem agrotóxicos e frescos mais força

Com o aumento da demanda, a empresa decidiu criar um novo modelo: as cestas por assinatura de frutas, legumes e verduras e tudo o mais o que a pessoa quiser receber semanalmente ou quinzenalmente. Pouco tempo após o lançamento dessa opção, as assinaturas já representam 50% dos pedidos da empresa.

“Nós vimos que nossos consumidores gostam de cozinhar, de se alimentar bem e as nossas cestas dão um ar de curiosidade sobre quais itens virão nela, já que é tudo surpresa e tem uma rotatividade incrível”, diz o CEO e fundador da Raízs, Tomás Abrahão. Nesse modelo, o cliente recebe semanalmente ou quinzenalmente itens como legumes, verduras, frutas e temperos, sendo possível indicar itens que o consumidor não deseja receber.

Para Bianca Reame, diretora de marketing da companhia, o crescimento do serviço por assinatura tem um motivo principal.

"Ele cresce por uma conexão que vai além do alimento, com foco na qualidade, frescor, o fato de serem produtos colhidos no dia, sem veneno e entregues no dia seguinte em casa. Ao assinar Raízs, além de tudo isso o cliente também leva pra casa uma semente de conscientização porque se dá conta de que está financiando pequenos produtores e comunidades onde eles estão inseridos em vez de grandes redes com foco puramente no lucro", afirma ela.

Ela também aproveita para focar na plataforma da empresa, que utiliza tecnologia não só para as entregas e escolha dos produtos, mas para minimizar o desperdício de alimentos. "Operamos com o serviço on demand, modelo em que só são retirados da terra os produtos que o cliente irá consumir, reduzindo a possibilidade de os alimentos serem descartados sem serem consumidos", diz Reame.

Origem e expansão

De acordo com ela, a empresa nasceu a partir de um processo de consciência alimentar do fundador da empresa, Tomás Abrahão. Antes da Raízs, ele abriu uma consultoria e trabalhou em Bangladesh em negócios sociais. De volta ao Brasil, ele passou a considerar a opção de empreender no ramo alimentício.

"Olhando para uma tendência da Europa e Estados Unidos em alimentação saudável e até para o cenário que se tinha no Brasil, a vontade dele foi a de trabalhar juntando as pontas entre pequenos agricultores e a cidade.", diz Reame. "A Raízs se baseou bastante nessa ideia e a empresa começou na garagem da casa dele, com um mini freezer, e ele saindo de casa e indo pegar os produtos dos agricultores para entregar para os clientes de São Paulo."

Após cerca de 7 anos de funcionamento, a empresa já conta com 3 polos produtivos (em SP e PR) e está caminhando para um quarto polo.

"Todos os nossos produtores são certificados orgânicos e temos uma equipe de agrônomos que fica em contato constante com o polo para projetar o plantio e a colheita e auxiliar os produtores em qualquer questão técnica que tenham. Ao todo são 900 agricultores cadastrados na rede. Cerca de 100 foram integrados durante a pandemia", diz Reame.

Recentemente, a empresa recebeu a certificação de Empresa B, um dos mais respeitados no âmbito socioambiental e é idealizado pela organização norte-americana sem fins lucrativos B Lab.

"Ele atesta e cataloga empresas ao redor do mundo que praticam a sustentabilidade em seus 3 grandes pilares: econômico, social, ambiental. Além disso, também temos o selo Eu Reciclo, certificado dado a empresas que destinam recursos à cadeia de reciclagem, por meio da compensação ambiental de pelo menos 22% das suas embalagens, conforme previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos", diz Reame.

Além da conexão entre os pequenos produtores com os consumidores urbanos, a empresa criou iniciativas para favorecer esses produtores. "Para ir além do lucro e gerar impacto positivo, a Raízs criou o Fundo do Pequeno Produtor, ao qual destina parte de seu faturamento. O consumidor também é convidado a realizar doações de até R$ 30 para o fundo, inteiramente gerido pelos agricultores. Eles podem usar esse valor para o que bem entenderem: compra e plantio de sementes, investimento em tecnologia, etc", diz Reame.

"Trabalhamos com a sazonalidade dos alimentos, portanto, os clientes só recebem orgânicos da época. E, sempre que possível, incluímos 'diferentões' nas cestas. Acho que o brócolis romanesco é o caso mais típico de feliz descoberta de novos alimentos por parte dos nossos clientes. Sempre que eles recebem, uma chuva de fotos desse diferentão invade as nossas redes. Ele já ganhou apelidos como “brócolis alienígena”, “brócolis dos fractais”, “brócolis doidão” por parte dos nossos clientes, que adoram", completa a diretora de marketing. .

Fonte:
Whow!
Autor:
por Marcelo Almeida
Publicado em:
23 de novembro de 2021

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