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15 de janeiro de 2019

Shale pode reduzir dependência do Brasil na importação de gás natural

Apesar de polêmico, o fraturamento hidráulico (ou fracking) é considerado uma das alternativas para diminuir os volumes de compras do insumo da Bolívia, cujo contrato vence neste ano

Shale pode reduzir dependência do Brasil na importação de gás natural

Com a expansão das energias renováveis, o gás natural é a grande aposta da indústria global para garantir a estabilidade da oferta. E no Brasil, o shale gas em campos terrestres pode ser uma importante fonte para reduzir sensivelmente a dependência das importações do insumo.

Segundo estudo da KPMG, o Brasil possui uma das maiores reservas de shale gas – também conhecido como folhelho ou xisto – no mundo. “O potencial produtivo é de cerca de 140 mil a 500 mil barris de óleo equivalente por dia [boe] em campos terrestres no País”, afirma o sócio de petróleo e gás da consultoria, Anderson Dutra.

Porém, o tema ainda é polêmico por se tratar de um tipo de extração cujos resíduos e procedimentos geram preocupação aos ambientalistas. O fracking – ou fraturamento hidráulico – utiliza água para extrair o gás de rochas e especialistas da área apontam como principal risco a contaminação do lençol freático.

Mas o shale, juntamente com o gás associado ao pré-sal, é considerado uma alternativa para reduzir a dependência do Brasil da importação, principalmente da Bolívia. “O País avançou muito na exploração não-convencional e as reservas brasileiras neste segmento onshore já são economicamente viáveis”, avalia.

Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque, mencionou a importância do gás natural na transição para uma economia de baixo carbono e o papel de destaque do gás associado à produção do pré-sal e também do xisto neste cenário.

Dutra lembra que o Brasil precisa resolver a questão do contrato de fornecimento de gás com a Bolívia, que termina neste ano, e a exploração do shale gas é uma alternativa prontamente viável. “O País é um dos poucos players globais com um portfólio de hidrocarbonetos e também de renováveis e podemos nos tornar cada vez menos dependentes da importação de gás natural.”

Regulação

Hoje, o fracking não está previsto na legislação brasileira. “O perfil de exploração em campos terrestres é mais voltado para empresas de pequeno e médio porte, porém, o investidor vai esbarrar na legislação. Com o volume de problemas que o novo governo terá que lidar, dificilmente vejo no curto e médio prazo a regulamentação do fracking avançando”, afirma o consultor de petróleo e gás Juarez Fontana.

Ele destaca que, por enquanto, a exploração offshore é a opção mais viável para o Brasil. “Nos próximos anos, a produção em alto-mar continuará sendo mais atraente.” Ele alerta, entretanto, que apesar dos riscos de contaminação, o fracking é uma tecnologia centenária, que só ganhou destaque nos últimos anos nos EUA. “Feita de maneira correta, não apresenta riscos. Mas sem uma fiscalização assertiva, pode gerar problemas”, pondera.

Para o sócio da KPMG, é preciso uma legislação que garanta regras para proteger o lençol freático, integridade dos poços e descarte dos resíduos. “Hoje, temos dados que mostram que o fracking tem um risco controlado”, garante o executivo.

Ele salienta que o Brasil está ganhando cada vez mais notoriedade no mercado global de óleo e gás. “Quando vemos gigantes como ExxonMobil, Total e Shell investindo de forma maciça no País, isso mostra que o potencial é imenso. Mas também temos capacidade de movimentar nossas pequenas e médias empresas, que em campos terrestres são ideais para gerar um forte efeito multiplicador na economia.”

Fonte:
DCI
Autor:
JULIANA ESTIGARRÍBIA
Publicado em:
10 de janeiro de 2019

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