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21 de janeiro de 2019

Nutrição de plantas por meio de adubação foliar

A busca pela qualidade e sustentação econômica da agricultura moderna insere ao manejo agronômico de lavouras a prática de nutrição de plantas via foliar como obrigatória no dia a dia da produção.

Nutrição de plantas por meio de adubação foliar

É uma técnica cultural já difundida na agricultura e que se apresenta como a alavanca para se atingir altas produtividades. São evidentes as respostas de culturas a aplicação via foliar com macro e micronutrientes aliada a sua facilidade de aplicação e distribuição via pulverização dos fertilizantes. Esta técnica é uma ferramenta de grande valia aos programas de adubação atualmente recomendados pelos técnicos pois funciona como uma “injeção na veia da planta” atuando assim em momentos de grande demanda nutricional, durante o ciclo da lavoura, favorecendo o equilíbrio dos nutrientes na planta.

A adubação é uma prática agrícola que tem o objetivo de aumentar a concentração dos elementos essenciais na solução do solo sempre que a velocidade de transferência da fase sólida for insuficiente ou a concentração dos elementos for baixa, tornando o solo deficiente nos elementos. Entretanto, o uso da adubação foliar tem demonstrado sua importância e se tornando cada vez mais comum devido a eficiência e à rápida absorção dos nutrientes através das folhas, em relação à adubação tradicional via solo e sistema radicular. A questão relativa à baixa eficiência de absorção pelas raízes dos nutrientes aplicados via solo, é uma das razões pela qual a nutrição foliar tem sua importância no manejo de adubação de lavouras. As perdas dos nutrientes por volatilização, lixiviação, adsorção e erosão contribuem para que a nutrição foliar seja adotada como prática usual nos meios de produção agrícola. Além de outros fatores como compactação, fungos, nematóides, pH elevado e excesso ou falta de umidade no solo comprometem a taxa de recuperação do nutriente pelas raízes das plantas. Com essas colocações fica evidente que devemos enxergar a nutrição foliar como forte aliada na busca de altas produtividades além de contribuir com maior eficiência para obtenção de um lucro líquido de maior valor.

O interesse pelo fornecimento de nutrientes para as plantas por meio da adubação foliar vem crescendo tanto no Brasil como nas partes de mundo onde a tecnologia agrícola se encontra em estágio avançado, no entanto, para se obter sucesso com o uso desta técnica devem-se aplicar os nutrientes em épocas e dosagens adequadas. Os nutrientes aplicados no solo, principalmente fósforo e alguns micronutrientes, sofrem uma série de interações, assim como a influencia de fatores que reduzem a sua disponibilidade para absorção pelas raízes das plantas, esses fatores contribuem para o sucesso da complementação da nutrição por meio da adubação foliar, principalmente se fornecidos nos momentos críticos, isto é, nos períodos de maior demanda pela plantas durante seu ciclo.

A nutrição foliar é desenvolvida com o objetivo de equilibrar a quantidade de fertilizantes de solo aplicada tradicionalmente via solo, com o intuito de reduzir os gastos contribuindo com o equilíbrio dos nutrientes no solo e na planta. O desequilíbrio nutricional nas plantas é causado pelo desbalanço das relações entre os macros e micronutrientes na CTC dos colóides do solo. A nutrição foliar é ferramenta capaz contribuir com as exigências nutricionais da cultura sendo assim é utilizada com sucesso em agricultura de baixa, média e alta tecnologia. Um dos objetivos da nutrição foliar é ajudar a estabelecer níveis foliares aproximado ao ótimo para obtenção de plantas na lavoura equilibradas nutricionalmente.

Vantagens da adubação foliar:

  • As doses para aplicação são menores do que as aplicações via solo;
  • Uniformidade de distribuição é facilmente obtida;
  • Respostas à aplicação dos micronutrientes são quase que imediatas e conseqüentemente as deficiências podem ser corrigidas durante a estação de crescimento;
  • Suspeitas de deficiências podem ser facilmente diagnosticadas por meio de ensaios simples de aplicação via foliar;

Desvantagens da adubação foliar:

  • A demanda de nutriente é, geralmente, alta quando as plantas são pequenas e a área foliar é insuficiente para absorção foliar;
  • Idade da folha;
  • Pode ser muito tarde para corrigir as deficiências e ainda obter produções máximas;
  • Com alta concentração salina pode ocorrer queima das folhas;
  • Custo de aplicação extra pode ser necessário, em função da necessidade de mais de uma aplicação no ciclo da planta;

Fatores intrínsecos que afetam a eficiência da absorção foliar:

  • Permeabilidade da cutícula;
  • Idade da folha;
  • Estado iônico interno da planta;
  • Via de assimilação do carbono;
  • Estado fisiológico da cultura;

A aplicação foliar consiste no tratamento direto das folhagens com soluções de fertilizantes. A raiz é o órgão responsável pela absorção de nutrientes e pela fixação da planta no solo. A parte aérea (folha) é um órgão que, embora adaptado a fotossíntese, pode também absorver água e soluções diluídas de substancias orgânicas e inorgânicas. Dá-se a absorção de nutrientes não só pelas folhas mas também por outros órgãos aéreos. Pulverizações foliares com os micronutrientes Zn, Fe, Mn, Cu, B e Mo tem sido empregadas para corrigir ou prevenir problemas nutricionais específicos das plantas. Além de micronutrientes, o cálcio, o magnésio e outros macronutrientes são também absorvidos pelas folhas e usados no controle de deficiências. Os critérios para medir a absorção de nutrientes aplicados às superfícies das plantas são: aumento da coloração verde das folhas, correção de deficiências específicas, aumentos de crescimento e de produção e variações na composição dos tecidos das plantas. Além desses critérios tem se usado, mais recentemente, os isótopos radioativos que permitem medida sensível e direta da absorção.

A resposta das plantas ao uso de fertilizantes é limitada por inúmeros fatores. Considera-se fator limitante tudo aquilo que evite a obtenção de rendimentos elevados. Tal fator pode reduzir as respostas das culturas aos fertilizantes à metade ou menos do que poderia ser conseguido. Na aplicação foliar, a quantidade de nutriente para atingir determinado status nutricional é considerável menor do que o na aplicação ao solo. Nos solos argilosos que apresentam maior capacidade de fixação de alguns nutrientes, a pulverização foliar de nutrientes constitui método eficaz de aplicação de fertilizante.

As exigências nutricionais de determinadas culturas podem ser satisfeitas com uma ou duas aplicações foliares. Estas são mais fadadas ao sucesso quando a área foliar é grande como ocorre na maioria das frutíferas, ornamentais e outras culturas de interesse agronômico durante o florescimento e a frutificação. A nutrição foliar é mais efetiva quando as raízes não podem absorver suficientes nutrientes do solo, devido a ele ser pobre, à grande fixação, perdas por lixiviação, pouca umidade do solo e pragas e doenças do solo contaminado como nematóides e fungos. As respostas às culturas às aplicações foliares são mais rápidas, porém menos duradouras do que quando o nutriente é aplicado no solo. Isto oferece uma rápida recuperação das deficiências e um controle mais efetivo do equilíbrio entre o crescimento vegetativo e a produção de frutos. No florescimento, muitas culturas atingem sua área foliar máxima, apresentando uma depressão no conjunto de suas atividades metabólicas, incluindo a absorção de nutrientes pelas raízes. Aplicações foliares devem ser especialmente úteis em tais condições.

No processo de diagnose foliar, a própria planta é utilizada como solução extratora, revelando, portanto, seu estado nutricional através da análise química do tecido vegetal. A técnica de diagnose foliar é interessante porque investiga as relações existentes entre o “status” nutricional da planta e a fertilidade dos solos, possibilitando o estabelecimento de sistemas de estimação e correção das possíveis deficiências ou excessos nutricionais com base nas análises químicas dos nutrientes presentes nas plantas.

A diagnose foliar é um método de avaliação do estado nutricional das culturas em que se analisam determinadas folhas em períodos definidos da vida da planta. O motivo pelo qual se analisam as folhas é conhecido: elas são os órgãos que, como regra geral, reflete melhor o estado nutricional, isto é, respondem mais às variações no suprimento de nutrientes, seja pelo solo, seja pelo adubo. A análise de folhas é atualmente uma das melhores técnicas para avaliar o estado nutricional das plantas e orientar programas de adubação junto com conhecimento da fertilidade do solo e influencias de outros fatores.

A recomendação de fertilizantes, a ser aplicado via foliar, deve obedecer a necessidade nutricional da planta na lavoura. Para saber esta necessidade nutricional da lavoura, a diagnose foliar por meio da análise de folha é a maneira de se identificar tal necessidade. Abaixo segue exemplo de um padrão de valores ideais, em faixa, dos nutrientes em lavoura de soja em estádio de R2.

A partir do confronto dos resultados das análises de folha da respectiva lavoura com o padrão tido como ideal, exemplo quadro 1, procede-se então a recomendação dos fertilizantes foliares. O objetivo é corrigir as possíveis deficiências bem como fornecer doses extras de fertilizantes de modo a contribuir com a exigência nutricional da planta em momentos de grande demanda durante seu ciclo.

Não há dúvidas de que as pulverizações foliares são eficazes na prevenção ou correção de deficiências de micronutrientes e na moderação de deficiências de macronutrientes. Uma agricultura moderna exige o uso de corretivos e fertilizantes em quantidades adequadas, de forma a atender a critérios racionais, que permitam conciliar o resultado econômico positivo com a preservação dos recursos naturais do solo e do meio ambiente e com a elevação constante da produtividade das culturas. O elevado preço dos fertilizantes faz com que práticas de avaliação das necessidades de adubação das culturas, dentre as quais a diagnose foliar seja estudada e empregada com maior freqüência.

Fonte:
Agro Link
Autor:
Fabio Torres
Publicado em:
27 de fevereiro de 2018

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