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13 de novembro de 2018

Inteligência Artificial: transformando o canteiro de obras

O uso de tecnologias de Inteligência Artificial em construção civil ainda é relativamente recente, embora o mercado esteja atento ao surgimento de um conjunto de startups especializadas, inclusive no Brasil.

Inteligência Artificial:  transformando o canteiro de obras

Os pioneiros no setor observam uma significativa redução de custos e de acidentes de trabalho, além de uma melhora na performance dos cronogramas (otimizados para sequenciar tarefas e atingir prazos finais).

Mesmo diante de comprovados benefícios, a adoção em larga escala depende de capacidade de investimento - em pessoal especializado, na alteração dos processos e na aquisição de equipamentos apropriados.

Apesar do ritmo ainda relativamente lento vis-a-vis os demais setores da economia, uma análise do ecossistema de tecnologias de construção indica algumas tendências emergentes que estão transformando a maneira como o setor planeja, projeta e executa seus projetos.

Inicialmente o desafio é criar soluções integradas para a execução no “campo”, na colaboração entre as equipes incluindo os escritórios.

Estudo da McKinsey (2018) oferece dois caminhos, não excludentes, para as empresas de construção interessadas em adotar as tecnologias de IA: (a) examinar as soluções de IA já disponíveis, e (b) investigar aplicativos de comprovado impacto positivo em outros setores, com potencial de serem replicados tais como algoritmos de otimização de rotas de transporte para otimização do planejamento de projetos; otimização da cadeia de suprimentos de varejo para gerenciamento de materiais e estoque; robótica para construção modular ou pré-fabricada e impressão 3D; e reconhecimento de imagens de assistência médica para gerenciamento de risco e segurança.

A IA auxilia no monitoramento do comportamento dos operários por meio de reconhecimento e classificação de imagens captadas localmente; os dados geram informações úteis para programas de treinamento.

Outra vantagem é a possibilidade de analisar dados coletados por sensores distribuídos ao longo da obra que permitem identificar padrões, agilizando a tomada de decisão relativa à custos, manutenção preventiva, tempo de inatividade não planejado, dentre outros fatores.

O estágio atual de desenvolvimento da IA, baseado no processo chamado “Aprendizado Profundo” (Deep Learning), constitui-se por si só numa barreira à ampla adoção dessas tecnologias.

Automaticamente, os algoritmos de IA varrem a base de dados e identificam, através de modelos estatísticos, tendências e cenários futuros e a probabilidade de cada um deles acontecer. Para treinar esses algoritmos é necessária uma massa crítica de dados, e capacidade de armazená-los, processá-los e interpretá-los; neste cenário, as maiores empresas do setor serão as primeiras beneficiárias, com mais chances de definir a direção a ser seguida pela indústria.

As novas tecnologias, segundo a McKinsey, são uma alternativa à estagnação da indústria da construção que, nas duas últimas décadas, teve um crescimento em produtividade média de apenas 1% ao ano.

Alertas as tendências de mercado, as startups brasileiras ConstruCODE, ConnectData e Controller desenvolveram métodos inovadores, de fácil aplicação, adequados à obras de médio e longo porte; as três participam do programa de inovação OKARA Hub, que durante seis meses oferece mentoria e acesso à rede de grandes empresas do setor.

A metodologia da ConnectData permite a análise, em tempo real, de materiais utilizados e indica as tendências de desvios no consumo, nos custos e nos atrasos de cronograma. A assertividade é o ponto forte da Controller, cujo aplicativo melhora a gestão da produtividade por meio da digitalização dos processos de controle de obras, facilitando a rotina dos empregados que, geralmente, gastam 88% do tempo preenchendo planilhas e apenas 12% do tempo dedicados a análise dos dados, como pondera seu CEO, Felipe Canuso.

Esses métodos incrementam a operacionalidade e os índices de assertividade no canteiro com base numa plataforma on-line; "etiquetas inteligentes” promovem o compartilhamento remoto de informações com a rede de participantes do ciclo da construção. Em paralelo, os engenheiros, coordenadores e encarregados de obras usam celulares e tablets para visualizar os projetos, gerir equipes em campo e sanar dúvidas, além de receber as atualizações dos projetistas. Uma das vantagens é viabilizar, simultaneamente, a gestão a distância de várias obras.

Os estudos indicam que, num futuro próximo, a difusão de tecnologias de IA no setor será modesta pela razão mencionada anteriormente: poucos construtores têm os recursos e a base de dados necessários para implementar as novas tecnologias. Contudo, dada as imensas vantagens, esse cenário tende a se alterar em prazo relativamente curto.

Sobre a autora do artigo - Dora Kaufman

Doutora pela USP, pós-Doutora na COPPE/UFRJ, pós-doutoranda pelo TIDD PUC/SP, Coautora do livro “Empresas e Consumidores em Rede: um estudo das práticas colaborativas no Brasil” (2013) e autora do livro “O Despertar de Gulliver: os desafios das empresas nas redes digitais” (2017). Consultora do Sebrae/RJ.

Fonte:
Sebrae Inteligência Setorial
Autor:
Dora Kaufman
Publicado em:
13 de novembro de 2018

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