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6 de dezembro de 2021

Iniciativa ajuda a recolocar mulheres refugiadas no mercado de trabalho

Além de apoio socioemocional, o Projeto Reinventar oferece capacitação profissional para mulheres refugiadas e se tornou case de boas práticas em plataforma da ONU

Empreendedorismo

A sensibilidade para temas de complexidade global e social faz cada vez mais parte da agenda das empresas. Aqui no Brasil, a desafiadora realidade vivida por mulheres refugiadas chamou a atenção da agência Foxtime e da companhia de saneamento básico BRK Ambiental. A parceria deu vida ao Projeto Reinventar, que tem como missão apoiar mulheres imigrantes ou em situação de vulnerabilidade a reescreverem suas histórias.

Para se ter uma ideia, existem atualmente no mundo 26 milhões de pessoas que vivem o chamado deslocamento forçado, segundo estimativas da ACNUR (agência da ONU para refugiados). Essa necessidade é influenciada por guerras e questões políticas ou sociais. Somente no Brasil, há mais de 57 mil refugiados reconhecidos, e aproximadamente 44% são mulheres.

A primeira edição do Reinventar ganhou vida em 2020 e buscou oferecer recursos tanto para formação educacional como capacitação profissional, além de auxílio socioemocional. A iniciativa tem o apoio de de parceiros metodológicos, como o Instituto Aliança, Senai, Universidade Estadual do Ceará, Rede Brasil e da própria ACNUR. Já no primeiro ano, 25 mulheres receberam apoio – 22 refugiadas venezuelanas e três brasileiras em situação de vulnerabilidade.

Unindo oportunidades

Na prática, a iniciativa conduz um curso com duração de quatro meses (240 horas de formação e mais de 60 horas de mentoria) e as participantes recebem apoio durante toda a duração. Isso envolve desde acompanhamento socioemocional até ajuda de custos. As ferramentas de trabalho também são disponibilizadas.

Na primeira edição, a formação estava focada em uma oportunidade percebida pela BRK Ambiental: encanamento e instalação hidráulica, profissões tradicionalmente associadas ao masculino, que carecem de mão de obra feminina qualificada.

Entre as participantes, 10 já estão empregadas na companhia, seis em Recife e quatro em Maceió, e 70% delas estão participando de outros processos seletivos e/ou aguardando contratação. “Surgindo novas vagas, eu sempre vejo as meninas que estão disponíveis e ofereço novas propostas”, conta Juliana Ferreira, coordenadora da filial da Foxtime de Recife e responsável pelo projeto.

Cuidado próximo

Para Juliana, o projeto busca gerar uma verdadeira mudança na vida dessas mulheres e de suas famílias, que sofreram muito para chegar no Brasil. Muitas delas percorreram quilômetros de caminhada, viveram em situação de rua e situação de fome, além de se submeterem à outras situações desumanas e vexatória.

Mais do que apenas garantir a sobrevivência dessas pessoas, o Reinventar visa recuperar a dignidade e ajudá-las a participar economicamente e socialmente do país em que vivem. “O projeto beneficia de diversas formas. Hoje, muitas delas têm casa, podem pagar uma escola para o filho e até levar para um parque de diversão. Coisas que podem parecer pequenas, mas que para elas fazem muita diferença”, conta a executiva.

Com as novas oportunidades, a vida de cada mulher pode ter mais solidez novamente. “Elas chegam até nós depois de passar por inúmeras dificuldades então a qualidade de vida melhora muito. Muitas delas sentem saudade da família, mas o projeto ajuda inclusive a juntar dinheiro para poder ir visitar ou até mesmo trazer essa família. É nítida a mudança nos olhos”, destaca.

Inspiração para o futuro

O projeto virou um case de boas práticas empresariais na plataforma Empresas com Refugiados, iniciativa da ACNUR e da Global Compact Network Brasil. A segunda edição já está em andamento e finaliza agora em novembro. Dessa vez, serão mais de 25 mulheres apoiadas entre venezuelanas, afrodescendentes, indígenas, e brasileiras, promovendo uma mão de obra qualificada e a geração de novos empregos.

Para Maressa Bernardo, coordenadora estratégica de marketing da Foxtime, um dos principais objetivos do projeto é trazer essa questão da sensibilização para as empresas. “Somos signatários do pacto global da ONU, que incentiva as empresas a realizar este tipo de projeto. Queremos que outras empresas vejam quais os benefícios de ter um refugiado, de fazer parte de uma ação como essas e ajudar o próximo”, destaca.

Para as próximas edições, a Foxtime já enxerga oportunidades em novas áreas. “Queríamos muito fazer uma edição voltada para a área de gastronomia e hotelaria, pois acho que teríamos muito espaço para crescer. O Nordeste é muito rico no Turismo e o tema refugiados tem ganhado cada vez mais espaço. Quero ajudar esse público”, finaliza Juliana.

Fonte:
Consumidor Moderno
Autor:
Raisa Covre
Publicado em:
26 de novembro de 2021

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