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17 de junho de 2019

Entramos na era dos orgânicos high tech, analisa Xico Graziano

Produtos viraram negócio de grande vulto; Produção no campo tem se transformado

Mercado de orgânicos está puxando a oferta no campo, exigindo seu aprimoramento

Os produtos chamados orgânicos estão em alta. Prova disso foi o tremendo sucesso da BioBrazil Fair, realizada nesses dias em São Paulo. Bombou de público.

Sucursal da Biofach, feira internacionalmente conhecida na promoção do comércio ligado ao naturalismo, a BioBrazil Fair contou com 167 expositores. Produtores, certificadores, processadores e comerciantes lançaram cerca de 2 mil novidades no local.

Mel, frutas, cereais, verduras, cachaça, alimentos frescos e industrializados… Existem centenas de gêneros certificados como orgânicos. Não se resumem à comida. Entre os produtos orgânicos também se destacam cosméticos, roupas, bijuterias, pets. É incrível a variedade já atingida nesse ramo de negócios.

Sim, negócios, e de grande vulto. Já passou aquele tempo onde os “orgânicos” expressavam apenas uma filosofia de vida alternativa. Agora, virou capitalismo puro, atendendo a um nicho de mercado que se avoluma na elite da sociedade.

Segundo a Ifoam (Internacional Federation of the Organic Agriculture Movement), existem 2,7 milhões de produtores orgânicos ocupando área de 58 milhões de hectares em 180 países. Tamanho de gente grande.

No Brasil, a produção orgânica faturou R$ 4 bilhões (2018), de acordo com o Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável (Organis). O mercado cresce sem parar, entre 15 a 20% ao ano. Zero crise nos orgânicos.

Duas recentes, e gigantescas, aquisições, mostraram a tendência global: em agosto de 2017, a Amazon comprou a norte-americana Whole Foods Market, maior rede de orgânicos do mundo. Um ano depois, a Unilever adquiriu a Mãe Terra, líder de mercado de produtos naturais no Brasil.

Grandes supermercados abriram há tempo suas prateleiras para os orgânicos, a começar pelo Pão de Açúcar. Outro gigante, o Carrefour, também já está operando no segmento. Ambos com marcas próprias.

Diferenciado é o marketing dos orgânicos. Seu público, formado por consumidores de elite, gasta menos de 10% da renda com alimentação. Bem de vida, aprecia remar contra a maré do consumismo banal.

Custa caro, mas pouco importa. Esse consumo “inteligente” valoriza a relação com a natureza, conquistando adeptos que se tornam ativistas da causa. Nesse quesito os orgânicos são insuperáveis.

Resultado: o mercado está puxando a oferta no campo, exigindo seu aprimoramento. Típica de agricultores marginais, com baixa tecnologia e vendida em “feirinhas”, a produção orgânica tem se transformado, com fortes investimentos em tecnologia, processamento e logística.

Entramos assim na era dos orgânicos high tech. E no reino da alta tecnologia do agro, seja biológica, química ou mecânica, manda o tripé: profissionalização, produtividade e qualidade.

Agronomicamente falando, pode-se antever uma aproximação progressiva, já em curso, da (correta) agricultura convencional com a (moderna) agricultura orgânica.

As duas formas de produzir no campo não se opõem. Ambas são capazes de garantir o alimento saudável.

Imagem: divulgação

Fonte:
Poder 360
Autor:
Xico Graziano - Engenheiro Agrônomo e doutor em Administração
Publicado em:
12 de junho de 2019

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