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24 de janeiro de 2018

Economia Compartilhada: Novos Modelos de Negócio no Turismo

As tecnologias digitais agregam uma dimensão inédita a práticas que já existiam na sociedade, como a carona, o aluguel por temporada e as trocas de experiências.

Economia Compartilhada: Novos Modelos de Negócio no Turismo

As plataformas online minimizam os fatores geográficos e temporais, ao conectar qualquer um com qualquer um, em qualquer lugar a qualquer hora; agrupam os usuários por interesse; e agilizam e barateiam os processos. Como intermediárias, elas organizam, padronizam e simplificam a interação entre os proprietários de bens ou serviços e os potenciais interessados nos mesmos.

A chamada Economia Compartilhada é um termo genérico para um conjunto diversificado de modelos de negócio, que inclui desde o AirBnB, uma empresa globalizada e o segundo faturamento no setor hoteleiro, até sites de troca de produtos de consumo como roupas, sapatos, bolsas, e similares. Um dos mais relevantes benefícios é o seu impacto positivo sobre a “Sustentabilidade”, ao disponibilizar um ativo não utilizado (capacidade excedente, ociosa) evitando os efeitos negativos sobre a sociedade da produção de novos bens; em paralelo, oferece aos indivíduos a possibilidade de monetizar bens particulares que não estão em uso (ou que os proprietários podem dispor deles).

Dentre suas características, destacam-se (a) permitir o intercâmbio de bens e o surgimento de novos serviços, potencialmente gerando mais atividade econômica, (b) gerar novas oportunidades para quase tudo, desde ativos e habilidades até tempo e dinheiro, para serem usados em níveis mais próximos de sua capacidade total, (c) originar capital e mão de obra de multidões descentralizadas de indivíduos em vez de agregados corporativos ou estatais, e (d) estabelecer linhas tênues entre o pessoal e o profissional, entre o trabalho com carteira assinada e o trabalho informal, entre empregos independentes e dependentes, entre trabalho e lazer.

Vivemos atualmente em uma economia híbrida onde convivem modelos de negócio inovadores e tradicionais, por vezes numa mesma empresa. O AirBnB, por exemplo, é uma entidade comercial que alavanca valor em uma economia compartilhada. Distinto da plataforma de aluguel por temporada Couchsurfing, em que não há moeda envolvida, o perfil do AirBnB é similar as empresas tradicionais (bem proprietário com a missão de maximizar resultados e gerar lucro para seus acionistas), contudo, o modelo da plataforma se beneficia das práticas da colaboração e compartilhamento.

Os novos modelos de negócio estão permeando todos os setores econômicos, e refletem não apenas as novas tecnologias, mas o conjunto amplo de forças que estão transformando o mundo - cultura, sustentabilidade, crise econômica e política, globalização, aumento do poder computacional, dentre outras. No setor de turismo, um dos mais afetados, atualmente as pessoas planejam, se hospedam, se locomovem, se alimentam, compartilham a viagem de um novo jeito.

Os turistas acessam websites de destinos, de hotéis, de restaurantes, de transportes. Multiplicam-se os aplicativos de locação de imóveis de temporada, e multiplicam-se as opções de locomoção e de alimentação. Em cada um deles, o turista encontra não só as oportunidades adequadas as suas necessidades e desejos (segmentação das ofertas, nichos, diversidade), como as avaliações dos usuários anteriores. Compartilhar as experiências é um dos atrativos dos sites e aplicativos: fornece uma recomendação isenta aos interessados e, igualmente, permite ao proprietário e/ou gestor do negócio oferecer melhores serviços.

O novo cenário demanda profunda reciclagem das instituições, empresas, executivos, empregados, prestadores de serviço. As agências de viagem concorrem com as ofertas dos sites, as locadoras de carros concorrem não só com modelos inovadores de alocação de carros como também com os sites de carona; as redes de hotelaria concorrem com as plataformas de aluguel por temporada aos moldes do AirBnB, cada vez mais segmentadas; os restaurantes estão expostos a visibilidade das avaliações. Nesse cenário, o poder público têm dois desafios à enfrentar: a regulamentação e a apropriação da receita oriunda desses novos modelos de negócio nos índices de geração de valor (PIB).

A aceleração dos processos é um desafio, as novidades emergem continuamente, o tempo para adaptação é curto, e nada indica que o futuro trará estabilidade, pelo contrário, as tecnologias de inteligência artificial estão agregando mais complexidade ao já complexo ambiente.

Sobre a autora do artigo - Dora Kaufman

Doutora pela USP, pós-Doutora na COPPE/UFRJ, pós-doutoranda pelo TIDD PUC/SP, Coautora do livro “Empresas e Consumidores em Rede: um estudo das práticas colaborativas no Brasil” (2013) e autora do livro “O Despertar de Gulliver: os desafios das empresas nas redes digitais” (2017). Consultora do Sebrae/RJ

Fonte:
Dora Kaufman
Autor:
Dora Kaufman
Publicado em:
23 de janeiro de 2018

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