SEBRAE Inteligência Setorial

SEBRAE

Moda

Imagem de título do setor Moda
28 de abril de 2020

Digitalização e cortes de custos: as tendências das franquias para o pós-coronavírus

Processos, serviços e novos modelos de negócios criados durante a crise deverão se tornar permanentes após a pandemia

Digitalização e cortes de custos: as tendências das franquias para o pós-coronavírus

O setor de franquias tinha algumas metas definidas para 2020: a maior integração entre os canais físicos e tecnológicos, a multicanalidade e a adoção da inteligência artificial ao dia a dia das operações eram algumas delas. Tudo isso – e mais um pouco – acabou ocorrendo em boa parte das redes pouco mais de três meses depois do início do ano, por conta da pandemia do novo coronavírus.

“Acelerou tudo. A digitalização ficou tão forte que as empresas adaptaram serviços, lançaram novos produtos e criaram soluções para esse período. As franquias estão mudando os seus negócios para atender esses hábitos que vão perdurar depois da pandemia”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), André Friedheim.

Os novos formatos de venda também devem se manter com a reabertura do comércio, com vendedores que também podem dispor do acervo do e-commerce e contatar clientes por meios digitais ou atendimento em domicílio. O home office também deve ser uma realidade maior dentro das empresas e, por essa razão, o delivery e as unidades e formatos de negócios em bairros pode se manter forte, na visão de Friedheim.

Outro aspecto importante, de acordo com ele, é que as empresas de varejo têm se preocupado ainda mais com a própria reputação nesse momento. Ações sociais, preservação de empregos e posicionamento em redes sociais são algumas das estratégias que podem ajudar as marcas na retomada. “É um momento de solidariedade, de empatia, de se colocar no lugar do outro e fazer valer a missão, a visão e os valores da empresa.”

O período também ajudou as franqueadoras a se aproximarem mais dos franqueados, com uma comunicação mais intensa e frequente por meios digitais. Friedheim acredita que esse legado possa ser levado para o pós-crise, reduzindo a necessidade de viagens, bem como toda a revisão dos processos que foram digitalizados nesse momento.

No entanto, nem tudo são ganhos. A crise também deve deixar gente pelo caminho. “Vamos ter fechamentos e muitos repasses de operações quando tudo voltar, mas não sei dizer ainda se serão 5%, 10% ou 15%.” A ABF está conduzindo uma pesquisa entre os associados para identificar essa tendência e também novas projeções de faturamento, amparadas na nova realidade.

A entidade também tem negociado com shopping centers para que taxas de transferência, comuns em processos de repasse de operações, não sejam cobradas na retomada, bem como o pleito junto ao governo pelo abatimento de tributos. “Os próprios shopping centers talvez também reavaliem a cobrança do condomínio, se tudo que é feito é realmente necessário. Será um momento de transformação para todos.”

Para o presidente da ABF, um dos grandes legados desse período é que muitos franqueados precisaram aprender, por necessidade, sobre gestão de empresa e fluxo de caixa. “Agora estão entendendo muito mais seus negócios do que entendiam no passado. Eles buscaram entender leis trabalhistas, contabilidade, tudo que envolve o negócio. Um novo mercado vai surgir, com mais consistência.”

Home office: lojas em condomínios residenciais e comida congelada são apostas da Boali

A rede de alimentação saudável Boali traçou algumas diretrizes e novos modelos de negócio que surgiram por conta do período de distanciamento social. Cerca de 40% das operações estão atendendo por delivery e, de olho no comportamento do consumidor, o CEO Rodrigo Barros conseguiu chegar a algumas conclusões.

O empreendedor conta que já negocia com quatro condomínios de São Paulo, com população superior a 400 pessoas para receber uma unidade do micro market autônomo da rede, lançado em modelo empresarial no início do ano. “As pessoas farão mais home office e queremos ser uma opção para que ele se alimente em casa. A diferença desse para o que temos em empresas é a instalação de câmeras”, diz. O franqueado mais próximo será o responsável pelo abastecimento, manutenção e faturamento do ponto de venda.

Além disso, a rede incentivará com mais ênfase o take out (pedido para viagem) nas lojas, com adaptação de produtos e comunicação, e recentemente foi colocado no ar um e-commerce com venda de pratos congelados. “Já tínhamos a estrutura que foi lançada em janeiro, com o aplicativo, só adaptamos. Na reabertura, os pratos também vão ser vendidos nas lojas”, adianta.

Segurança: Majô Beauty Club reabre lojas em Goiânia, mas não arrisca planos de longo prazo

Com a autorização municipal, as unidades da Majô Beauty Club de Goiânia (GO) voltaram a operar, mas com os cuidados redobrados. A fundadora da marca, Claudia Vobeto, diz que os franqueados estão preparados e de sobreaviso para todos os cenários neste momento: abertura gradual, total ou fechamento repentino. No momento, não há espaço para planos de médio e longo prazo. “O processo de reabertura é viver um dia de cada vez. Para todos os decretos existe um adendo: se ficar tudo bem, permanece aberta. Se aumentar a incidência de casos, reduz a carga horária ou até fecha novamente.”

De acordo com ela, há uma demanda reprimida, mas o comportamento de consumo tem sido mais comedido nesse momento: em geral, o cliente liga antes para saber quais cuidados a loja está tomando para prevenção e ainda se certifica ao chegar no espaço.

No início da pandemia, com dez dias de fechamento, a rede colocou no ar um e-commerce de vouchers para serviços futuros para gerar vendas para os franqueados. “Tínhamos dois desafios: vender no online, algo totalmente novo para o franqueado e para o público que nunca comprou dessa forma e, o maior deles, entregar depois”, explica.

Para meados de maio, ela planeja colocar no ar um serviço de delivery de home care, para atender aos clientes em casa. De acordo com Claudia, os dois serviços já faziam parte dos planos para a Majô, mas não tinham perspectiva de sair do papel, até chegar o coronavírus. “Optamos por pensar em algo que fosse perene e não um desespero para gerar caixa. O cliente perceberia isso e não seria saudável para a rede”, conta.

Para a reabertura das lojas, Claudia negociou com fornecedores para a produção de álcool em gel e máscaras de marca própria, tanto para o uso dos colaboradores, quanto dos clientes.

Fonte:
Pequenas Empresas Grandes Negócios - Revista
Autor:
PAULO GRATÃO
Publicado em:
28 de abril de 2020

Você também vai gostar de ler