SEBRAE Inteligência Setorial

SEBRAE

Alimentos

Imagem de título do setor Alimentos
2 de março de 2017

Crescimento do veganismo desperta interesse do mercado

Empresários se deram conta de que o público vegano é promissor e lucrativo. Muitos dos que investiram nesta área viram o negócio mais do que duplicar em pouco tempo. Além de restaurantes e comidas veganas, as vendas de itens de vestuário também só tem crescido.

pizza-vegana

Veganos com espírito empreendedor encontraram na sua filosofia uma forma de sustento.

Rosemir Folhas se tornou vegetariano há oito anos e vegano há três, quando resolveu montar a fábrica da Vegano Shoes, no interior de São Paulo. A ideia era produzir e oferecer sapatos sociais que não fossem de couro. Rosemir começou fabricando 200 pares por mês e hoje produz 1,2 mil, além de bolsas, cintos, carteiras e acessórios.

'O mais interessante é a gente trabalhar dentro do que a gente acredita. A gente percebeu a oportunidade e investiu. Mesmo onívoros são preocupados com o meio ambiente e querem usar um produto mais sustentável. Está crescendo muito no Brasil isso e, sem dúvida, a gente conseguiu entrar muito bem no mercado', constata Rosemir.

O portal Vista-se divulga notícias relacionadas ao veganismo. Fabio Chaves criou o site em 2006, para vender camisetas. Mas o negócio cresceu e hoje ele ganha a vida com o comércio digital de vários produtos sem nenhum item de origem animal. Mesmo assim, ele ainda é mais motivado pelo ativismo do que pelo empreendedorismo.

'A gente não tem um perfil de empresa, que tem metas para crescer e outras coisas. Na verdade, pagando as contas é o que conta para a gente. A ideia é fazer crescer mesmo o portal, por mais que seja um serviço que não dê um retorno financeiro. Eu encaro como uma missão', conta Fabio.

A rede de restaurantes Barão Natural, em São Paulo, saltou de uma para quatro unidades em três anos. Guilherme Carvalho foi indicado para fazer uma consultoria para transformar a cozinha do restaurante em vegetariana.

Acabou sendo convidado para virar sócio e transformou a rede em vegana. Viu o faturamento crescer sete vezes nestes três anos.

'A gente descobriu esta forma maravilhosa de impactar a causa, impactar os animais e de oferecer para as pessoas uma alimentação vegana barata, desmistificando a ideia de que comida vegana precisa ser cara. A gente oferece almoço a partir de R$ 9,90 à vontade. Temos muita alegria de divulgar e propagar o veganismo e o respeito aos animais da maneira mais natural possível, que é pela alimentação', afirma Guilherme.

E uma das empresas há mais tempo no mercado vegetariano é a Superbom, criada há 90 anos por adventistas focados em alimentação saudável. Seja qual for a motivação – saúde ou ativismo animal – o mercado cresceu muito na última década.

Os pontos de venda quase duplicaram, chegando a 25 mil pontos, e saíram da região Sudeste para se espalhar pelo Brasil. E, mais recentemente, a empresa mais do que dobrou a variedade de produtos e passou a produzir até queijo vegano.

'Os investimentos aconteceram em virtude da movimentação do mercado. Há seis anos, a linha de produtos da Superbom tinha 47 itens. Hoje nós estamos com 107 itens. Então mais do que dobrou o portfólio nos últimos seis anos', explica o gerente de marketing da empresa, David Oliveira.

Os consumidores do mercado vegano não necessariamente são veganos. Podem ser pessoas que comem carne, mas se preocupam com o meio ambiente ou simplesmente querem aproveitar o preço baixo e a variedade de um restaurante. Mas os envolvidos com o empreendedorismo concordam em dizer que a crescente oferta de produtos sem itens de origem animal facilita a vida de quem quer adotar uma dieta vegana.

Imagem: Fernanda Ligabue/Divulgação

Fonte:
CBN
Autor:
CBN
Publicado em:
2 de março de 2017

Você também vai gostar de ler