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4 de janeiro de 2019

Caixa vai abrir capital de 4 subsidiárias até 2020

O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, disse ontem que a estatal planeja abrir o capital, o chamado IPO, de todas as suas subsidiárias. Pelo menos quatro dessas controladas passarão por IPOs até o primeiro semestre de 2020.

Caixa vai abrir capital de 4 subsidiárias até 2020

"Vamos abrir o capital das subsidiárias. Será um IPO para cada uma", afirmou Guimarães, que tomará posse na próxima segunda-feira.

A Caixa, no entanto, continuará controladora das empresas. O plano é abrir o capital da Caixa Seguradora e da unidade de cartões do banco ainda neste ano. Em 2020, a ideia é fazer o mesmo processo com os departamentos de gestão de ativos e loterias.

"Abrir o capital dessas áreas faz parte da estratégia do governo para inserir o Brasil no mercado internacional. Se um IPO desses trouxer de 5 mil a 10 mil investidores, isso significa melhora na governança, aumento do valor da empresa e maiores pagamentos de dividendos. O IPO do IRB Brasil RE será a nossa referência", disse ele.

MAIS CRÉDITO CONSIGNADO

Em entrevista ao GLOBO, o presidente da Caixa adiantou que dinheiro arrecadado com os IPOs será usado para pagar ao Tesouro Nacional os aportes feitos no banco na forma de Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD). Esse tipo de empréstimo entra no patrimônio da instituição e não tem prazo de pagamento. Na visão dele, isso gera concorrência desleal no setor financeiro.

Guimarães disse ainda que o banco passará a ter como foco os pequenos tomadores de empréstimos e ampliará a sua vocação para atuar no crédito imobiliário. Alinhado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, ele disse que a Caixa não pode continuar a ter uma parte importante de sua carteira destinada a grandes empresas:

"Concordo 100% com Guedes quando ele fala em desestatizar o crédito. Até que ponto a Caixa pode ter mais de R$ 100 bilhões emprestados para grandes companhias que têm acesso ao crédito privado, inclusive internacional? Nosso foco será nos pequenos".

A Caixa também quer reforçar o microcrédito no país. A estratégia será baseada na experiência bem-sucedida do Banco do Nordeste, o Crediamigo, que já beneficiou quatro milhões de pessoas. Nessa modalidade, um grupo toma um empréstimo e, se um não pagar, os demais cobrem a dívida.

A meta de Guimarães é levar o microcrédito para 30 milhões de pessoas, em um prazo de cinco anos. Em outra frente, ele quer que a Caixa entre no segmento de cartão de crédito consignado, com o objetivo de emitir 15 milhões de cartões em quatro anos. Segundo ele, o banco atua de forma tímida no consignado: basicamente, para os beneficiários do INSS.

Segundo Guimarães, a Caixa tem mais de 94 milhões de CPFs - considerando quem recebe benefícios pagos no banco estatal. No entanto, 78 milhões desses potenciais clientes não adquirem produtos da instituição.

Guimarães afirmou ainda que pretende reforçara área de crédito imobiliário. A ideia é estimularem préstimos para imóveis usados, o que traz dinamismo ao mercado, e buscar novas fontes de financiamento, como a securitização (venda secundária de papéis lastreados em operações imobiliárias). A meta é emitir R$ 100 bilhões em quatro anos.

Guimarães admitiu que enfrentará resistências, mas pretende "dar um choque de gestão" na Caixa. Disse ter deixado o setor privado, onde ganharia muito mais, porque encarou o convite do novo governo como uma missão.

Segundo ele, inicialmente serão preservadas as 3.379 agências e quase 14 mil correspondentes bancários, porque o enxugamento do setor de varejo da Caixa, presente em vários municípios, pode trazer transtornos à população.

Fonte:
Ademi
Autor:
Manoel Ventura, Marcello Corrêa e Geralda Doca
Publicado em:
3 de janeiro de 2019

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