SEBRAE Inteligência Setorial

SEBRAE

Construção civil

Imagem de título do setor Construção civil
24 de setembro de 2021

A tecnologia como aliada da privacidade

Legislação aliada às iniciativas do mercado visa garantir os direitos do consumidor

Tech

Nos dias atuais, o consumidor está a apenas um clique de distância da aquisição de um novo produto ou serviço. Promoções personalizadas, cupons de desconto e lançamentos não faltam. E com a tecnologia cada vez mais proporcionando praticidade, o cliente, ao navegar em sites duvidosos, pode colocar seus dados pessoais em risco sem nem saber.

Entretanto, essa mesma tecnologia, se utilizada com estratégia e consciência pelas organizações, pode mitigar diversos perigos e tornar o universo digital um ambiente mais seguro, sem deixar a experiência do cliente de escanteio.

A tecnologia pode proteger o consumidor

O aumento significativo das compras online durante a pandemia de covid-19 provocou uma reflexão sobre a maturidade do consumidor. Estudo recente realizado pela RTB House com a consultoria WGSN destaca a urgência da busca por mais privacidade, mas também reforça a importância de abordagens mais pessoais: no mundo, 82% dos compradores acham que é importante oferecer uma experiência online personalizada, enquanto 52% deles acreditam que as empresas geralmente são impessoais. Além disso, 83% dos millennials pensam que é importante compartilhar valores com as marcas.

Nesse sentido, de um lado existem clientes cada vez mais exigentes e conscientes, que olham mais para os processos e valores das marcas e já os consideram como elemento fundamental na decisão de compra. De outro, empresas realizando mudanças profundas em suas práticas, como é a própria adequação à nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e à extinção dos cookies de terceiros. Esse movimento – necessário e urgente, que envolve toda a indústria, ainda demanda grandes investimentos em infraestrutura, tecnologia, treinamentos e, sobretudo, tempo.

“Quando pensamos no ecossistema de mídia digital, algoritmos de IA avançada são cruciais para garantir maior precisão às segmentações das publicidades on-line, mas também será a chave para garantir maior privacidade ao processo. Na RTB House, utilizamos algoritmos baseados em deep learning e isso já nos permite rodar campanhas ultra personalizadas sem a necessidade de dados demográficos pessoais dos usuários”, salienta André Dylewski, business development director LATAM da companhia.

Essa tecnologia possui estrutura de funcionamento parecida com a do cérebro humano, o que além de garantir uma maior capacidade de processamento e análise de informações, também possibilita a autoaprendizagem. Na prática, isso permite aos algoritmos utilizarem uma gama muito maior de dados, o que resulta em decisões e recomendações mais assertivas, realizando correlações não tão óbvias, aprendendo e testando novas simulações, o que facilita o manuseio de dados anonimizados e garante maior privacidade ao processo.

A RTB House, inclusive, está participando ativamente dessa transformação. Desde janeiro de 2020, quando foi feito o anúncio da mudança pelo Google, tem-se colocado esforços para tornar a plataforma compatível com o Privacy Sandbox – proposta para o futuro sem cookies.

A organização conta com um time de profissionais multidisciplinares dedicado a esta mudança, e eles participam ativamente das discussões sobre o tópico cookieless no W3C (World Wide Web Consortium), que é um grupo de trabalho global que reúne representantes do Google e de outros grandes players da indústria digital.

Já a respeito das inovações que estão sendo exponencialmente adotadas por todo o ecossistema de e-commerce (marketplaces, hubs de integração, plataformas de e-commerce e etc.), o foco está, principalmente, em diferentes tecnologias de autenticação de identidade dos consumidores em diversas plataformas, podendo-se destacar a tecnologia passwordless, segundo Alexandre Correia, coordenador de segurança da informação do Anymarket. Nesse método, prioriza-se “o que o consumidor é”, ou seja, características biométricas para a validação, tornando qualquer ação fraudulenta mais difícil.

“Já é possível vivenciar esse tipo de autenticação em alguns serviços através de reconhecimento de impressão digital e reconhecimento facial, mas a perspectiva é muito em breve possamos obter essa mesma experiência em todo o e-commerce, inclusive com a expansão da confirmação de identidade através da identificação da íris dos olhos, batimentos cardíacos entre outras características únicas do consumidor, inclusive seu DNA”, descreve.

“Em conjunto com a identificação biométrica tecnologias de big data, machine learning, geolocalização e confirmação de dados complementam os sistemas antifraude mais inovadores do mercado, pois possibilitam identificar um comportamento padrão do consumidor, permitindo identificá-lo com maior precisão e, consequentemente, com maior segurança”, coloca o especialista.

Customer Experience e segurança: é possível extrair o melhor

Nos tempos atuais, é importante se manter atento às mudanças dos consumidores, sobretudo quando há uma aceleração na adoção de novas práticas digitais. A pesquisa da WGSN com a RTB House traz que o novo consumidor possui uma maior necessidade de confiança nas plataformas e nas práticas das empresas, além de afinidade com seus valores.

As pessoas querem ser ouvidas, com uma maior participação ou colaboração nos produtos e negócios, e ter mais flexibilidade nas interações com as marcas. Sendo assim, além de um esforço para entender os hábitos e expectativas do cliente, é necessário que as companhias conheçam as tecnologias disponíveis para atuar nesses desafios.

“A inteligência artificial seguirá sendo uma importante aliada nesse processo, seja no social listening, para ouvir e compreender os desejos do consumidor, ou na elaboração de campanhas programáticas com anúncios hiper-personalizados e que dialoguem com as necessidades de cada um deles”, pontua o business development director LATAM.

“Na esfera publicitária, a tecnologia pode auxiliar a prever o melhor contexto de apresentação de um anúncio, com timing e mensagens-chave específicos para cada consumidor, entendendo sua necessidade em tempo real e mitigando aquela sensação de interrupção ou generalização que pode prejudicar a experiência com a marca”, diz André Dylewski.

Exemplificando, a RTB House utiliza inteligência artificial de ponta, o deep learning, para recomendação e personalização de anúncios em vídeo, formatos altamente eficientes para campanhas de conscientização de marca. A automação por trás dessa solução permite gerar até 10 mil versões de um mesmo vídeo, adaptando trilha sonora, elementos visuais e produtos exibidos para as preferências de cada consumidor. Graças a essa medida, esses anúncios em vídeo alcançam taxas de visualização até 33% mais altas do que a média.

De olho na jornada do cliente, o CX se tornou o principal diferencial competitivo no ecossistema de e-commerce. Portanto, as empresas devem garantir que as estratégias possam fornecer interações personalizadas e agradáveis em cada ponto de contato. Para Alexandre Correia, essas interações têm um efeito cumulativo na percepção geral dos clientes e na impressão que tem da marca. Isso torna o CX crítico para o sucesso.

“A adoção de tecnologias analíticas de comportamento dos consumidores na interação com as empresas torna-se essencial para antever futuras necessidades dos clientes. Para se ter uma ideia, pesquisas apontam que muitos consumidores abandonam o carrinho de compras devido ao esquecimento da senha”, resume o coordenador de segurança do Anymarket.

O mercado brasileiro e tendências para os próximos meses

Com o advento da pandemia de covid-19, houve um aumento dos ataques e fraudes online no mundo, sendo o Brasil um dos principais afetados. Apesar do ecossistema de e-commerce ter acesso a tecnologias igualmente utilizadas ao redor do mundo, o fator humano continua sendo o principal vetor utilizado pelos atacantes, como educação digital pouco adequada, instabilidade econômica e vulnerabilidade emocional.

Dessa forma, a LGPD intensificou a discussão sobre gestão, tecnologia e privacidade de dados no Brasil, colocando os processos corporativos em um patamar muito próximo daqueles praticados pelos países da Europa, regulados pelo General Data Protection Regulation (GDPR), por exemplo.

Isso é um diferencial positivo, pois ainda são poucos os países que possuem regulamentações específicas como esta. Ainda assim, existem outras discussões que estão mais aceleradas lá fora e ainda devem se intensificar por aqui nos próximos meses, como o banimento dos cookies de terceiros.

Fonte:
Consumidor Moderno
Autor:
Amanda Medeiros
Publicado em:
23 de setembro de 2021

Você também vai gostar de ler